sábado, 8 de janeiro de 2011

Reino de Asdrubal

Bom, vou publicar aqui um conto meu, é uma história de ficção medieval, espero que os leitores gostem...é um pouco grande mas acho que vale a pena rsrs



Reino de Asdrubal
Neve, chuva, gelo. Era um reino muito distante que chamado Lubar. Dois viajantes estavam a caminho e duas semanas já se passaram.
- Julius, você tem certeza de que existe esse tal lugar chamado Lubar? Já se passaram duas semanas e nada. Apenas vento, chuva e frio.
- Fique calmo Marcus, pode não existir esse lugar no mapa, mas meus sonhos não mentem, estou certo de que logo chegaremos.
Cavalgaram mais três dias, e pela manha do terceiro chegaram ao tão esperado lugar.
- É o paraíso – Disse Marcus – Quero ser rei! Quero conquistar terras, dar pão aos pobres camponeses e ser aclamado em batalhas.
- Não precisava ser tão sonhador, quantas vezes tenho que lhe dizer isto, primo? Contente-se com o que você tem, pelo menos por enquanto.
- E você não precisa ser tão hostil – Marcus se ofendia facilmente – Me deixe sonhar, pois sonhos levam as pessoas a lugares fantásticos, assim como o seu está nos levando.
- Você confunde o significado das coisas, mas este não é o momento para discussões, temos coisas mais importantes para fazer.
As pessoas de Lubar eram acolhedoras e hospitaleiras. O lugar muito calmo, com morros e rios que serpenteavam nas encostas. O frio, o vento e a névoa que pairava no ar atrapalhando a viajem tinham se desfeito de uma maneira quase mágica.
Quando chegaram às redondezas do castelo da vila, perceberam que a simpatia havia terminado.
    E o primeiro a perceber isso foi Marcus.
- Oh, Julius, acho que temos um pequeno problema aqui. É um castelo negro e as trevas reinam neste lugar, creio eu.
-Quanto drama, não estou mais te reconhecendo. Um cavaleiro tão destemido como você e agora está agindo como um covarde?
-Foi só um alerta Marcus, apenas isto.
Tirando o fato de não haverem soldados, era muito complicado para entrar no castelo, pois este se situava no topo de um morro, e a encosta que levava até ele era íngreme. Os dois primos se entreolharam, e Marcus logo se manifestou.
- Como entraremos? Não há sequer guerreiros para nos receber bem ou mal.
Eles deram a volta ao redor do morro, e perceberam que os pedregulhos que tornavam a encosta íngreme do lado sul, simplesmente não existiam ao leste. Era, de fato, muito inclinado o barranco, mas dois cavaleiros facilmente poderiam subir através de terra e grama em um dia ensolarado.
-Percebe que não precisamos ficar tão preocupados, Marcus? Imagino que a sorte deva estar do nosso lado. Mas lembre- se que, se alguém aparecer, viemos em paz.
E então, a escalada começou.
O castelo, alem de ter uma grande e cansativa subida para ser alcançado, também era muito alto, uma visão de contos épicos contados por poetas e músicos extravagantes. Mas em algum lugar é possível existir, ainda que vendo, não possamos acreditar.
- Penso que aquela subida, foi a etapa mais fácil, só que, não tão fácil assim – resmungou Marcus – O que faremos?
- Você e suas perguntas que evidentemente não possuem uma resposta instantânea. É obvio que necessitamos de uma pausa para averiguar o território.
   Sim, usaremos as cordas!
-Que cordas?
-Aquelas cordas – Disse Julius apontando para uma janela que ficava a oeste.
- Só pode estar ficando louco Julius, não sabemos para que elas servem, e além de tudo, se subirmos, o que nos aguardará?
-Isso não posso dizer, mas de alguma forma vamos ter que entrar, ou terá sido uma viagem perdida.
Marcus hesitou, mas acabou cedendo, visto que não havia outra alternativa. Levaram muito tempo para subir, até que chegaram a um cômodo, um quarto que levava a uma sala enorme.
Pararam para pensar no que fazer. Este quarto possuía muitos livros e objetos empoeirados, o ar estava muito abafado dentro do castelo apesar da janela estar aberta, porque na sala, perceberam que havia uma lareira acesa.
Vasculharam o cômodo em busca de alguma coisa que justificasse o motivo deles estarem ali, e começaram a busca através dos livros.
Eram livros de magia, alguns escritos em idiomas muito complicados, principalmente para Julius que era péssimo em leitura. Marcus conhecia mais as línguas.
Algum tempo depois Julius ouviu um barulho vindo da grande sala e olhou através da fresta da porta. Viu movimento. Marcus estava entretido nos livros e não percebeu nada.
-Marcus, você não vai acreditar no que estou vendo ali na sala!
Marcos disse alguma coisa e Julius percebeu que ele nem sequer ouviu uma palavra, estava pronunciando em voz baixa algum encantamento, era um livro com uma capa negra e não possuía escrita alguma; Livros assim discretos, provavelmente são de magia.
-Marcus, preste atenção – Marcus parou de divagar – ali na sala.
Marcus foi olhar. Olhou por longo tempo e depois de muito gaguejar, conseguiu juntar as palavras:
-Mas, é um dragão branco do norte!
-Claro que sim – Julius se empolgava – É exatamente isso que eu esperava!
-Então foi por isso que viemos? Seu sonho mostrava o dragão? Porque não me disse antes? Estou vendo que não posso mais confiar em você!
    Pensei na verdade que tivéssemos vindo para tomar terras, mesmo que ainda não soubéssemos exatamente o nosso destino.
-Marcus, pense mais um pouco então, já que começou; terra há em todo lugar, um dragão branco do norte não.
-Isto é certo, mas como conseguiremos pegá-lo? Estamos neste quarto há um tempo e podemos perceber que o dragão não está sozinho na sala.

Dragões brancos do norte são boas criaturas, muito belos, porém tolos, e quem consegue capturá-los também pode manipulá-los à vontade. Eles soltam gelo pela boca, ao contrário dos dragões comuns que vemos por ai. é uma informação que todos devem saber, já que, se ele for mantido em lugar muito quente e abafado pode correr grande risco.
-Realmente não está sozinho. Posso ver também um vulto de pessoa. Está tão escuro e com a lareira acesa só enxergo sombras.
-Deixe-me ver, enxergo melhor que você no escuro – Marcus as vezes era muito pretensioso e felizmente isto ajudava em algumas ocasiões.- Julius, parece um feiticeiro está movendo os lábios como se estivesse pronunciando uma oração, ou encantamento.
-Como pode? O que estará ele fazendo com um dragão branco do norte?
-Deve estar usando sua energia – Disse Marcus – Uma vez, li em um pergaminho, não me lembro bem como foi isto, só sei que estava escrito que os dragões tem uma energia diferente da que podemos encontrar em qualquer outra criatura, e isso que digo era em relação aos dragões comuns, então posso imaginar que a energia deste seja superior.
No momento que Marcus disse isto, o dragão soltou um urro muito gutural, como se fosse de dor e raiva, e um brilho ofuscante começou a sair de seu corpo. Marcus que não possuía tanta fama de bravura, inexplicavelmente saiu pela porta do quarto. Estava irado e inconformado com a crueldade do feiticeiro, e não suportava atos assim.
Julius tentou impedir mas já era tarde. O feitiço de dissipou, e os pensamentos do feiticeiro se voltaram apara a situação que agora abrolhava.
Mas diante a fúria impensada de Marcus, o mago não se viu em perigo, e fez menção de continuar o encanto para rapidamente obter a energia do dragão e ficar mais forte.
O que não percebeu é que Julius estava atrás dele, com a ponta da espada em sua nuca.
- O que você está pensando garoto? – Disse o mago, com escárnio – Você não passa de mero fantoche, ou pensa que aquele sonho foi por acaso?
- Como sabe do meu sonho? Você não aparece nele.
-Eu o enviei a você! Não pensou que a corda estava ali na janela por algum motivo? Ou eu, Asdrubal, senhor e feiticeiro dessas terras, deixo qualquer aparvalhado entrar em meu castelo? Não que você tenha seu juízo perfeito, é claro – E sua risada maligna preencheu toda a sala.
- E porque você teria enviado aquele sonho a mim? – A ponta da
espada tinha passado para a garganta do mago, já que eles estavam frente a frente agora, e Marcus apenas observava.
-Porque eu preciso de alguém para fazer companhia para mim, alguém que me ajude com os encantamentos e que tenha grande conhecimento de dragões.
-Porque  pensa que tenho todo esse conhecimento?
-Você não seu tolo – Asdrubal mais uma vez soltou sua risada macabra – É a seu amigo que estou me referindo. Ele esconde seus conhecimentos, mas eu sei até onde vai sua sabedoria.
Marcus não sabia o que fazer, nem dizer, e quando conseguiu dizer algo apenas perguntou:
-Porque enviou seu sonho a ele e não a mim?
-Simplesmente porque você não viria, é covarde e não acredita em nada que não possa ver, e sei que seu primo o arrasta para todo lugar que ele vai, não sei o tem de vantajoso em carregar um medroso como você para todos os cantos.
Julius se irritou e pressionou mais a espada no pescoço de Asdrubal. Pensou que tivesse visto um fio sangue escorrer, mas estava enganado.
-Pensa que pode me matar com uma espada, meu jovem? Acha que se eu morresse facilmente meu castelo não teria uma guarnição? Eu não preciso de proteção, tenho minha magia.
Durante o tempo que Asdrubal ficou se justificando para Julius, Marcus pronunciou três palavras, que, a principio não surtira efeito algum e tanto o mago quanto Julius pararam a briga para tentarem entender o que tinha sido dito, e quando pensaram em retomar a encrenca, algo estranho aconteceu na sala provocado pelo que eles haviam ignorado até o momento  durante as discussões.
O dragão se manifestou.
Manifestou-se e não foi da maneira que Asdrubal almejava. A energia do dragão não havia se extinguido por inteiro e Marcus pronunciou três palavras que possuem a força para fazer um dragão branco do norte se irar, o que é muito difícil, e poucos sabem o encantamento.
Aurian, o dragão; cujo nome Marcus e Julius vieram a descobrir mais tarde; deu um passo a frente e, apesar da sala ser grande não compensava seu tamanho, assim, com o movimento, comprimiu Asdrubal contra a parede eu tirou sua respiração, e para se certificar que o feiticeiro não provocasse mais encrenca, soltou uma baforada de gelo, congelando-o. Se Asdrubal estava vivo ou morto ninguém teve muita certeza, então jogaram-no por uma das janelas do castelo e escutaram o barulho de gelo estilhaçando.
Com esse feito, acaba o governo de Asdrubal, porém é só o começo de um reinado que vai abalar Lubar e toda sua redondeza...
O reinado do dragão.


2 comentários:

  1. Interessante, da até para adaptar para algo em rpg

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  2. Muito boooom!!!

    Eu quero a continuação tá?!

    adorei! eu pensei q ele ia tentar enfiar a espada na garganta do Asdrubal. Não esperava esse final! muito bom, parabéns!

    beijos..

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